s.f. (...) indicação de que alguém "encontrou finalmente a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa".

(Psiu: Sobre aquela falta de ideias)

30.7.14

Das cartas Jamais Escritas, nº2


"It's been a long time since i've seen you smile"
Começava a carta,
manchada de tempo, lamúrias e café mal preparado.

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Na minha cabeça não faço distinção entre as décadas de 10 entre os últimos séculos; são os tempos pós-revolucionários, pré-guerras mundiais e a mentalidade patriarcal da sociedade prossegue.
Em retorno a pauta — que acabo de esquecer e retomo ao início — ainda não me recordo o porquê de ter relido essa carta-bilhete. Desnecessário.
A leitura.
A carta.
Você.

Parafraseando o efeito "Tardis"tico da instrumentação do Zach Condon. Um aproveitador, eu diria!
E que conhece minhas fraquezas como ninguém, nem mesmo eu.
A carta antiga agora se mistura em lágrimas e a desgraçada saudade do que éramos e do que pensávamos à tempo.
Nos tempos onde tudo era linear. Era só roubar a mala e sair por aí. "What else?" Você diria, com a língua dançando e dando voltas, rodopios. Uma dança descompassada, engraçada. Mas que tinha uma sabedoria ímpar, principalmente ao encostar nos meus lábios.

Você me faz querer fumar.
Eu, que não fumo.

A vida emite radiações pessimistas todos os dias. Estamos envelhecendo a cada respiração, cada olhar.
Exceto você.
Uma esperança compactada num amontoado orgânico já sem sinapses nervosas. Já não se ouve sua respiração pesada ao estranhar uma situação; não sentes mais o arrepio da minha nuca ao ouvir-te sussurrando.

Quero um ticket só de ida. Passar a vida inteira vivendo e revivendo esse ano, um eterno retorno.
Cobro a sua ausência ao Nietzsche?
Você se importaria, Beauvoirista?
Porque o que me resta é trancar-me em mente.
Cá não vais embora. Cá posso amar o rei. E pela nossa lei, nos permitiríamos ser feliz.
Tive que sair do meu reinado pra ser escravizada por esse neocolonialismo sentimental.
Queria eu ter uma arma de resistência.

...

Seria a minha arma
Você?

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