s.f. (...) indicação de que alguém "encontrou finalmente a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa".

(Psiu: Sobre aquela falta de ideias)

17.12.13

Non-judgemental Breakfast Club


Éramos um, feito de dez. 

Soa estranho, sei muito bem. Dez adolescentes à flor da pele, banhado de entorpecentes e ilusões. Nada mais comum nesses tempos.

Começou com uma conversa, em tonalidade jocosa, sobre a prova de libertação sem limites (sonho de todo burguesinho que herda sangue da tradicional classe média brasileira). Marcou-se no epicentro do consumo – lugar que, em particular, me aterroriza até hoje. Assistimos à projeções. Circunferamos o grupo e partilhamos conhecimentos, piadas ruins e tiramos um com a cara do outro.

Nesse dia em especial sentia furos em meu estômago. Quis atribuir infantilmente a minha displicência alimentar ao abraço que recebi de um desamor. A gente costuma ser meio imbecil em situações que envolve alimentação – do estômago; do coração.

Brincamos de felicidade quando nós ainda beirávamos quinze, vinte pessoas. Uma fantasia conjunta de uma moradia numa loja de móveis. Criamos nossa realidade, nossos jantares gatsbyianos, nossas bagunças entre lençóis.

Partimos em conjunto pra um campo de futebol. Já debandaram alguns. Enchemos os copos de destilados, liberdades contidas e coca-cola e liberamos aos poucos verdades que só espinhavam à nós mesmos. Estávamos na construção dos nossos próprios limites.

Surgiram discursos exarcebados sobre superproteção, monopólio de sexo nas conversas e revelações das mais variadas. Bêbado é um bicho assim mesmo, chato. Deitamos uns nos outros, choramos, rimos, dançamos, brigamos, nos declaramos, decoramos a trave do campo com nossa felicidade efêmera. 
Tem um momento chave em uma ficção que muito gosto que, em determinado momento, o protagonista se sentiu infinito.

 Eu via tanta beleza naquela metáfora, e ainda assim, me doía saber que aquele sentimento nunca me pertenceu de alguma forma; até esse dia. O dia em que abrimos nossos corações e nos permitimos amar, uns aos outros, cada qual do seu modo. Nós fomos infinitos
.

Meu filme favorito termina com uma sincera carta declamada por um dos pertencentes desse clube de cinco, em um campo de futebol e com o Simple Minds tocando ao final. Creio que é isso que falta para nossa pequena epifania do non-judgemental Breakfast Club

Love's strange so real in the dark 
Think of the tender things that we were working on 
 Slow change may pull us apart 
When the light gets into your heart 
Don't you
Forget about me 


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