s.f. (...) indicação de que alguém "encontrou finalmente a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa".

(Psiu: Sobre aquela falta de ideias)

17.12.13

Guardar é Liberar um Caminho

Clarice guardava em sua caixinha todos os seus grandes amores. 
Hobby peculiar, sim, mas quem está em posição de julgar os hábitos alheios nesse grande purgatório que é a vida? 
Tinha um que guardava com muito carinho (as vezes com uma leve graça) que apelidou de “...”. 

Isso mesmo, reticências. 

Ela não fazia ideia de quem era, e ria pra caramba de suas descrições sentimentais nos diários da puberdade. 

Essa característica em muito me entusiasma a respeito de Clarice. Não a mania de guardar corações cheirando a naftalina, ou ficar escavando e por vezes enrubescendo a respeito da sua imaturidade. 

Clarice não se permitia controlar pelas memórias, se guiar por nostalgias. Ela guardava as lembranças – em caixas, em penseiras. Mas sempre se permitia adquirir novas, em vez de se esbaldar com vivências já mortas. 
Precisamos nos cercar de mais Clarices.

Um comentário:

Daniel você-sabe-quem disse...

Simples adjetivos não descrevem o quão eu gostei dele então vou escolher um difícil. Mais venusto que a natureza ariosa da sua beleza.
:3