s.f. (...) indicação de que alguém "encontrou finalmente a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa".

(Psiu: Sobre aquela falta de ideias)

11.12.11

Senhorita Ninguém.


Sentada em um jardim inglês, lendo um livro de um poeta morto, Ninguém foi encontrada. Ouvia alguns artistas desconhecidos da década de setenta, sem uma feição específica. Alguns chamariam de "blasé".
É o ultimo dia de sua temporada na Europa (passara o dia anterior procurando por sebos antiquíssimos e lojas que - ainda - vendiam discos de vinil).
Questionei o que atraia tanto uma jovem nessa busca incessante por cultura. Afinal, Ninguém tinha, no máximo, uns vinte anos.
Ela não soube responder.
Lia aquelas belas palavras e achava-as atraentes, reproduzindo incessantemente o que lia para todos os amigos (ou para o seu círculo social, já que se considerava uma pessoa solitária). Sem se quer saber o que estava falando.
Dizia-se defensora da individualidade. Mas suas opiniões, na verdade, eram apenas o que ela absorveu de outras pessoas. Ela, pra ser honesta, não sabia de nada. Criara uma ilusão autossuficiente.
Ela ouvia aqueles artistas porque não gostaria de ser comparada às pessoas as quais fora obrigada a conviver toda a vida. A famosa "Do Contra".
E, depois de tudo isso, ainda não havia respondido o porque a feição vazia. Então tive uma epifania. Sua feição refletia sua mente, sua alma.

Vazia.

A única atitude individual que a pobre Ninguém tinha era respirar. Ela dependia dessa imagem inteligente para sobreviver. Fingindo ser tão intensa que não expressa emoção nenhuma. Triste.

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