s.f. (...) indicação de que alguém "encontrou finalmente a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa".

(Psiu: Sobre aquela falta de ideias)

8.3.11

“Perdi a mão” de viver.

Aos meus adoráveis leigos, perder a mão é uma expressão antiga usada por muitos para expressarem que perderam a habilidade. Sei que isso gera um questionamento, afinal, quem se quer já teve controle completo de sua vida? Mas não quero me aprofundar nisso.
Vim falar sobre uma situação alarmante: Perdi a habilidade de fazer as pessoas sorrirem, emocionarem-se. Em suma, perdi o poder do controle emocional. Também perdi o ânimo de tentar controlar minhas emoções.
Virei uma definitiva fantasma perdida.
Sem lugar de origem, sem futuro certo. Sem lugar para abandonar ou lugar para me acolher.

Costumam ter alguns sonhos macabros em que existe um fluxo de pessoas passando e apenas um vulto permanece intacto, sem nenhum movimento. Tudo em escalas de cinza, para tornar ainda mais assustador.
Sou um desses vultos imóveis. Todos passam por mim sem me notar, seguem sua vida. Se a estragam ou melhoram, bom, isso é com eles; nem vida eu tenho mais para dar o prazer de lhes responder.

A única coisa que ainda não perdi a mão foi a respiração (pois nem outras necessidades biológicas do ser humano, ler-se comer, estão me dando prazer); contudo não sinto a mínima vontade de praticá-la.
E a cada vez que tento provar que ainda estou viva para mim mesma, sinto como se tudo fosse um grande espetáculo e uma garotinha de seis anos resolvesse subir no palco randomicamente para fazer parte da peça.

Mas ela não pertence a esse lugar.

O fato de querer atrair a atenção do público não trará para ela uma garantia de participação no elenco.
Estou morrendo aos poucos. Os únicos aparelhos que estavam fazendo-me sobreviver já estão sem funcionalidade.
As cortinas se fecharão para a pequena garota mais cedo do que ela esperava.

3 comentários:

Natália Di Santis disse...

Cansaço de viver, perseguem alguns. E só estes alguns entendem o significado ainda sem tradução que carregam no coração, já estilhaçado pelos murros da vida.

Lara Sá disse...

Sinto sua falta, Gagabriela.

TaTa disse...

Um tanto de mim clichê, essas palavras ecoam.
Carinho que não cabe em 140 caracteres.
Obrigada por fazer parte do meu cotidiano virtual!