s.f. (...) indicação de que alguém "encontrou finalmente a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa".

(Psiu: Sobre aquela falta de ideias)

8.1.11

Esperança Utópica


Era uma sexta-feira à noite. Havia apenas eu, meu primo de uma idade física semelhante, mas visivelmente mais novo (se levarem ao sentido psicológico) e minha irmã verdadeiramente menor. Víamos Clube dos Cinco.
Leitores de outrora já notaram meu entusiasmo para tal e até alguns outros títulos adolescentes da década de oitenta.
Esse fascínio se dá, entre outras coisas, a semelhança e diferença da geração assistida para a qual vivo. Não devo julgar pelo quesito moral, já que é algo que vem da índole; contudo, fico com uma curiosidade imensa de saber como era viver em uma situação de completa diferença quanto à minha vida.

Ao passo que imagino essa adolescência antiga, eles tornam-se meus heróis. A juventude agora é muito fraca, muito frágil. O computador está fazendo o papel da vida, ensinando coisas (até demais), de modo que o jovem de hoje não precisa mais viver.

É bizarro. E por essa não presença onipresente do computador (ou da internet, sejamos francos), pode-se afirmar que o modo de vida antepassado pode ter sido mais complicado; e muito melhor de se viver.
Peguemos como exemplo um biótipo tímido. Na época da fase teen dos filmes de Hughes (diretor de Clube dos Cinco, Curtindo a vida adoidado, A garota de Rosa Shocking...), eles viviam em um grupo de tímidos. Essa subdivisão grupal americana pode ser vista em qualquer filme adolescente pré-novo milênio. Porém, eles procurariam diminuir esse fardo (na opinião deles) para sobreviver na selva social. Hoje em dia, eles podem contar suas vidas inteiras com detalhes em qualquer rede social e continuar com esse “problema” (continuo afirmando que não acho que timidez seja um problema, por isso enfatizei) até a vida adulta, a qual esse mesmo problema não resolvido, pode se tornar um fardo pior. Ou seja, adiamos aprendizado os quais deveríamos ter na adolescência. Procrastinamos, deixamos pra lá. Tiramos o sentido da fase adolescente e agora a somos apenas a maior classe etária consumista. Cadê os jovens que lutam pela diminuição do consumismo, preservação ambiental, justiça governamental? Claro que hoje ainda lutam por essas questões, mas todos muito bem sentados em frente a um computador e se subdividindo entre uma conversação instantânea e uma troca de opiniões.
Somos a geração mais fraca que já houve desde o século XX. Sabem o quão entristecedor isso soa? Crianças sonhavam em ser como nós, poderem aprender com a vida. Se duvidarem, existe na internet algum tutorial sobre qualquer coisa que a vida ensinaria. A própria vida está desempregada. Eu honestamente me envergonho de ter essa idade em dois mil e onze. 
Os considerados “fortes” pelas pessoas da minha idade, ou até “ídolos”, são dependentes químicos, pessoas agressivas, que esnobam e diminuem o próximo, que tem como meta de vida não engravidar em nenhuma boate ao som da Ke$ha ou do Black Eyed Peas.
Sei que meus queridos leitores são as exceções dessa barbaridade que se tornou ser adolescente nesse milênio. Por isso gostaria que pudéssemos solucionar esse “problema” o quanto antes, pois esses mesmos transviados nos ajudarão a governar esse país. E convenhamos que o país merece priorizar causas mais importantes.
E para finalizar essa primeira epifania de dois mil e onze, creio que seja um dever finalizar com a citação icônica no inicio do tão falado filme:
"E estas crianças as quais você cuspiu; Como eles tentam mudar os mundos deles! São imunes às suas críticas e estão bastante cientes do que estão passando" — BOWIE, David.

4 comentários:

firstandlastimpressions disse...

Excelente postagem, excelente blog, excelente last.fm... epifânico :) Deveria aparecer por aqui mais vezes; quem sabe assim não me inspire? São minhas primeiras impressões. :)

Nasaneeds. disse...

Ganhei um presente e estou dividindo-o com você: http://aroundthewall.blogspot.com/2011/01/este-blog-me-faz-refletir.html (Não é obrigado a aceitá-lo, é claro) :}

Nasaneeds. disse...

"Liberte-se". Oh, sim, devemos nos libertar de tudo o que nos prende nos dias atuais: o comodismo, a vontade de ser igual a uma turba sem nada na cabeça, ao desejo de ser popular por apenas criticar - e não mudar.

Mas está difícil, convenhamos. Uma pessoa, é certo, pode começar uma revolução. Mas por onde? Como? E com que dinheiro?

Aliás, o dinheiro hoje em dia é o problema, não mais a solução. Se você não ganha mais que um juiz, ou não é mais popular que uma top model, ninguém - ou quase ninguém - lhe dará ouvidos. O que uma garota que eu, cuja quase-vida (porque eu gostaria de mudá-la sem medo) se passa em uma cidade de não mais que setenta mil habitantes - sendo que grande parte está mais preocupada com seus próprios umbigos que os dos outros - pode fazer? Estive pensando nisso no ano passado, quando pesquisava sobre a vida de John Lennon. A minha geração me causa repulsa. Aqui na minha cidade não há passeatas, protestos, arte. Eventos como estes só acontecem quando a coisa realmente está feia - e bote ênfase nisto. Quando fui para São Paulo eu vi manifestações artísticas em todos os cantos, e uma delas me chamou a atenção. Havia uma frase pichada em um muro de uma rodovia, onde estava tendo muito alagamento graças a quantidade de lixoque os pedestres jogavam na rua. "O Homem destruiu tudo o que os outros homens construiram". É sim, destruimos. Os maus costumes, ou até mesmo os "bons costumes", a falta de limites, ou a verdadeira limitação de mentes. Tudo isso, aliado a consumismo (que nos faz pensar mais em qual cor de esmalte usar do que como mandar uma cesta básica para os desabrigados de Petrópolis, Angola, Haiti), nos fez retroceder em nossas virtudes. Gosto de São Paulo porque lá ainda tem alguma "movimentação", porque lá você vai encontrar algumas pessoas que não te desanimam dizendo "Você é muito nova para pensar nestas coisas, vai ser um fracasso".

Ah, sim, eu queria muito mudar o mundo. Mas indivíduos, que são muito maiores que eu em números, conseguem me deixar para baixo antes mesmo de arranjar uma solução para meus próprios problemas.

Anônimo disse...

Nossa!
Você escreve perfeitamente bem, admiro muito você, pelo fato de você não ser fútil como qualquer garota e inteligente, continue assim... que você irá longe!
Um beijo!