s.f. (...) indicação de que alguém "encontrou finalmente a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa".

(Psiu: Sobre aquela falta de ideias)

20.12.10

E o dito eterno, teve seu fim.

Uma coisa que vem me incomodado muito ultimamente é a proporção exagerada que certos assuntos ganham.
Poderia gastar inúmeras linhas apenas citando exemplos, porém prefiro falar sobre o drama irritante que fazem por questões de natureza humana (como amores, correspondidos ou não) e social (como excesso de falsidade ou a distância).
O fato é que tais atitudes são cometidas por uma velha conhecida nossa: a decepção.
Eu me considero a pessoa mais apta a falar sobre a mesma, afinal tal sentimento é uma velha conhecida minha. Já me decepcionei por amor correspondido, platônico, falsidade, distância... Mas a pior decepção, aquela que nunca cicatrizará por inteiro, foi por amizade.
Vivi em um tempo em que ler livros sem figuras e ouvir músicas antigas era algo esquisito (penso que isso tornou mais compreensível a escolha de temas de postagens anteriores) e, mesmo tendo todo o amor da minha família, eu ainda me sentia a garota de uma pequena cidade que vivia em um mundo solitário.
Poucos sabem o que é ter dez anos e não ter ninguém para trocar confidências ou descobertas, principalmente quando você cresce com a convicção do desmerecimento da sua existência.
Conheci então uma garota que era tudo o que almejava ser. Bonita, cativante, extrovertida, inteligente. Em suma, era uma garota interessante. Não compreendo como opostos conseguiram se dar tão bem.
Eu era sua maior fã. Ouvia atenciosamente cada palavra que dizia e tentava ao máximo fazer o melhor por ela. Esse foi o meu erro. Eu a tratava melhor do que a mim mesma e para ela, eu era como um personagem secundário, ou melhor: uma plateia para o drama que ela chamava de vida. Mas fui paciente. Sabia que uma hora ela iria notar o meu carinho por ela.
Esse dia não chegou e com o passar do tempo, reparei que parte de mim e da minha personalidade estava perdida.
Eu não era mais eu; eu era a sombra dela.
O meu limite estourou quando ela mais precisava de mim. Senti-me a pessoa mais cruel do mundo por ter feito o que fiz. Despejei todo o rancor em cima dela. Como lamento isso!
E o fiz quando a mesma estava prestes a se mudar. Acredito que essa imaturidade foi um dos motivos para ela optar pela estadia definitiva de uma mudança que inicialmente seria de apenas um ano.
Analisando isso, percebo que não foi culpa dela. Presumo que a década de espera tornou a minha idealização de amiga perfeita utópica demais. Ela nem se quer me conhecia direito e eu a nomeei melhor amiga.
O fato é que eu não fui uma amiga de verdade; e essa é a maior decepção da minha vida.
A questão é: Só porque seu amigo recusou-se a tomar sorvete com você não significa que ele é falso, que o mundo só te decepciona e que agora só vai confiar no próprio umbigo. Já tenho melancolia demais na minha vida e o copo d’água já tem tornados o suficiente em sua superfície.

2 comentários:

Nasaneeds. disse...

Oh, Gabriela. Falou tudo. Para complementar, só faço uma ressalva: o que dói é que às vezes esses sentimentos de revolta nem existem nas pessoas que mais reclamam dela.

@likealovegood disse...

"Vivi em um tempo em que ler livros sem figuras e ouvir músicas antigas era algo esquisito (penso que isso tornou mais compreensível a escolha de temas de postagens anteriores) e, mesmo tendo todo o amor da minha família, eu ainda me sentia a garota de uma pequena cidade que vivia em um mundo solitário.
Poucos sabem o que é ter dez anos e não ter ninguém para trocar confidências ou descobertas, principalmente quando você cresce com a convicção do desmerecimento da sua existência."

Bem-vinda ao clube.