s.f. (...) indicação de que alguém "encontrou finalmente a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa".

(Psiu: Sobre aquela falta de ideias)

10.12.10

Com a palavra, a protagonista.

O céu se ilumina em um fenômeno único que é a velocidade da luz ultrapassando a velocidade do som e provocando feixes de luz lindos de se ver.

Cenário poético até em demasia para a situação de quem vos escreve se encontra.

Músicas melódicas com frases faladas e instrumentos animados. O calor exorbitante a fizera desistir da solidão reprimida falsamente vinda do som da televisão, para encarar a solidão entristecedora que era seu quarto.
Ela se sentia presa e vazia, como toda madrugada. Sua única companheira e que não a permitia ceder ao seu sono, era sua imaginação. Como qualquer mente presa, como já citado, ela imagina como seria estar do outro lado da situação. Liberdade. Era isso que ela sempre imaginava: Como seria sua vida se houvesse nascido em outro lugar. Em outra época. Se ela seria independente a ponto de recluir suas atividades do dia e tomaria um café para suprimir o inverno europeu, afinal é essa a estação lá agora. Ou se fosse interessante e divertida o suficiente para estar se divertindo em algum lugar ensolarado e deserto, apenas na companhia de amigos.

Ao observar a situação ao seu redor, a mesma se entristece. Maquiagem escassa e desordenada, tal como seus livros e suas roupas jogadas em cantos inimagináveis do local. Tudo ao seu redor, por incrível que pareça, era repugnante para ela. Todas essas coisas lembram a ela algo que ela gostaria de esquecer ao menos por segundos: sua identidade.
Todo ser humano que desenvolveu consciência sabe que não é raro sentirmos vontade de não sermos nós mesmos. Talvez este seja o motivo, contrariando a mente de várias pessoas de sua faixa etária, o qual seu quarto não era seu lugar favorito da casa.

Ele era muito... ela.

E por algum motivo, ela não gostava de si. Seus modos preguiçosos e desmazelados a irritava internamente. As mentiras que a rodeavam. Ah, as mentiras. Não consegue lembrar quais são as verdadeiras mentiras, aliás, ela não sabe quais são as verdades de sua vida. O complexo de identidade eterno que a acompanha desde que ela desenvolveu um mínimo de autocrítica.
Tais mentiras também a levaram a fazer o que ela está fazendo agora. Se escondendo em longo prazo. É algo difícil de explicar; simplesmente está ordenando seu computador, o qual considera como sua segunda vida, de modo que nada suspeito consiga achar coisas que nem mesmo admite ter.

Não seria inadequado dizer que ela não vive uma vida dela, mas sim uma vida idealizada para ela. Sua mente vive na sua idealização (que é personificada em sua segunda vida) e seu corpo vive em eterno piloto automático, o que explica a situação do quarto detestável citado anteriormente. E é claro que esse tipo de subdivisão tem consequências negativas. Não que ela não pense em soluções, é que a prática das mesmas é impossível.

A parte irônica é que ela foge de algo que nem ela mesma identifica ao todo. Sua identidade era uma completa desconhecida. Talvez daí venha o medo irracional. Ela não sabe quem ela é. Mas também não gosta.

Talvez ela seja de uma simplicidade tão exacerbada que só se veja complicada, ela concluiu. E desistiu de escrever contos, mesmo quando ela mesma é a protagonista.

4 comentários:

@likealovegood disse...

Eu não sei o que dizer. Talvez porque esteja muito chocada e pasma. Porque essa garota... essa garota que você descreveu nas linhas acima... sou eu.

Eu.

Sou eu! Tudo, tudo, tudo, em cada bocadinho, em cada mínimo detalhe. Chega um dia que a realidade e ficção se confundem. E eu sou essa garota aí. Não sei se é prejudicial ou não.

Me responda, por favor?

Gabriela Sá disse...

Nossa, Letícia!
Espero honestamente que não seja prejudicial, afinal nunca foi meu objetivo prejudicar alguém, muito menos você.
Esse texto foi simplesmente minha autodescrição, e eu honestamente fico feliz em não ser a única a compartilhar tais sentimentos, mesmo que não sejam tão agradáveis.

Nasaneeds. disse...

Essa garota não pode ser totalmente eu, mas é a minha pior parte. Estou tentando apagá-la, apesar de já ter se afeiçoado a mim como eu a ela.

Gabriela Sá disse...

Acredite, também não acho essa parte da minha personalidade tão admirável, Mar.
Porém eu realmente acredito que seja importante provar, ao menos para mim mesma, que ela existe. Não sei se escondê-la por tanto tempo está ajudando, estou tornando-me presa a isso.
Gostaria que as soluções de dissolvê-la sem grandes danos fossem tão simples.