s.f. (...) indicação de que alguém "encontrou finalmente a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa".

(Psiu: Sobre aquela falta de ideias)

10.10.10

Looping infinito.


Fico imaginando o motivo que me faz perder horas num looping ad infinitum de "home > mentions > retweets > listas > followers > home" (Aos queridos desentendidos, estou referindo-me ao twitter).
Acho que meu pensamento inicial é: tenho um tempinho antes de um compromisso, ficarei lendo os devaneios alheios. Depois falo algo, e corro imediatamente para saber se alguém comentou sobre isso ou retwetou o que falei. Vou para as minhas listas, ver se alguém me listou ou só imaginar o que as pessoas pensam antes de adicionar as pessoas às suas listas aleatórias. Então verei se há alguém interessante que está lendo o que escrevo, e vejo seus tweets. Se me interessar, o follow é indispensável. Se não, volto para a situação inicial. E essa linha de raciocínio se repete de um modo tão incontrolável, que me impede de fazer meu objetivo inicial ao ligar o computador.

Gostaria de saber o motivo desse efeito sobre mim. Acho que a sensação de ver que alguém pode se importar com o que penso, ou até dividir a minha opinião, me faz me sentir menos solitária. Mesmo que, na realidade, eu seja apenas uma garota com problema de visão que fica lendo coisas absurdas e inimagináveis, onde o único sinal de vida da casa se encontra nas músicas ensurdecedoras que tocam initerruptamente em seus fones de ouvido.
Essa situação cômoda me tornou uma pessoa mais desatenta (afinal, temos que ler tão rápido alguns tweets que na verdade, torna-se difícil entendermos a essência de alguns) e desinteressada. Aquela curiosidade de entender o sentido de coisas cotidianas e banais aos olhos comuns esmaeceu ao dar lugar a curiosidade de saber "o que vocês estão fazendo".

Sei que estou bastante culpada. Sinto-me assim por não estar fazendo por merecer tudo o que estou ganhando, na questão material, e por invés de estar tentando diminuir o peso da culpa, estar presa nesse looping.
Eu deveria tentar entender a regra natural que torna qualquer matéria sucessível a estabilidade ou tentar encontrar raízes de números com oito dígitos, mas fico tentando decifrar indiretas e rir de piadas sem a mínima graça. Analisando por esse lado, eu me sinto tão... Pequena.
Também sinto falta da minha mente passada, em que tudo o que motivava a minha vida era ter uma. No quesito profissional, claro. Mas aparentemente, a sabichona deixou-se cair por uma velha armadilha que transforma a vida do adolescente de pernas para o ar: a necessidade de ser alguém, seja virtualmente ou socialmente. E é no ponto mais importante da vida escolar, que precisamos ser sociáveis.
Há algo errado. Como a sociedade humana conseguiu passar tantos anos nesse sistema errôneo, onde a vida social inicia-se no período crucial da vida profissional/escolar?
E meu maior desafio é descobrir a secreta fórmula das grandes pessoas de sucesso, que conseguiram passar dessa fase sem graves consequências em nenhum setor da vida (profissional, pessoal e social).

Talvez essa reflexão seja uma desculpa, pois ao momento em que a faço, estou cometendo a mesma gafe que reclamo tanto.
As medidas tomadas para solucionar tal problema poderão vir no capítulo seguinte, aguardem o aviso prévio.

4 comentários:

A is for Anna disse...

Sinto-me como você. A idéia de ser aceita virtualmente e, assim, se tornar influente é tentadora. Não apenas isso, mas a cada lista me sinto mais querida, como se algumas delas pudessem tocar o meu coração e eu que eu possa dizer "finalmente fui aceita." Acredita que eu pulei de alegria quando recebi um follow de alguém que eu admirava? E quando recebi um reply da minha atriz preferida? Foi um soco na minnha mente, eu realmente não acreditava. E isso é tão comum, estou rodeada por aqueles com os quais me assemelho. É como olhar para o espelho através do computador, sinto-me realizada.

Gostei muito do seu blog, estou ainda meio perdida, queria te seguir aqui...Enfim. É isso.
Tchau.

Gabriela Sá disse...

Sinto-me do mesmo jeito. Essa parte do "finalmente fui aceita" mostra principalmente que na internet, nós conseguimos alcançar algo que (ao menos pra mim) é difícil de chegar na realidade. A liberdade que (principalmente o twitter) nos trás de ser ouvida/lida, expressar o que pensa e ainda ser recebida com carinho, é uma sensação tão irreal que nos perdemos na mesma.
E muito obrigada! É gratificante saber que as pessoas se indentificam e compartilham a mesma opinião que eu.

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Se a questão for seguir o blog, estou trabalhando nisso, porque mesmo com designs lindos, os temas do blogskins são muito limitados. Se for pelo twitter, o meu é @gkhudson (:

L. S. Dias disse...

Gostei muito do texto, bem escrito, inteligente, crítico e autocrítico. Muito perceptiva você.

Gabriela Sá disse...

Obrigada, L. Acredite, tento me aprimorar a cada texto e é realmente gratificante saber que meu modo de escrita agrada.